Quando a adaptação deixa de ser estratégia: uma hipótese sobre a internalização de processos cognitivos em interações prolongadas com inteligência artificial conversacional
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16997Palavras-chave:
Inteligência artificial conversacional, Adaptação cognitiva, Cognição estendida, Acomodação comunicativa, Interação humano-IAResumo
Este artigo propõe uma reflexão teórica sobre a possibilidade de que interações prolongadas com sistemas de inteligência artificial conversacional promovam, no usuário, um processo gradual de adaptação cognitiva e comunicacional. Enquanto a literatura disponível documenta amplamente a adaptação do sistema ao usuário, a hipótese aqui defendida desloca o foco para a direção inversa, propondo um modelo de reorganização estruturado em três camadas progressivas: um filtro epistêmico, responsável pela pré-qualificação defensiva dos próprios juízos subjetivos do usuário; um filtro estético-expressivo, que condiciona a produção simbólica e figurativa a uma etapa prévia de validação crítica; e uma possível generalização extra-contextual, na qual esse padrão de autorregulação se estende ao processamento cognitivo do sujeito para além do contexto de interação com sistemas de inteligência artificial. Ancorada na Teoria da Acomodação Comunicativa (Giles, 1973) e na tese da cognição estendida (Clark; Chalmers, 1998), e articulada com produção emergente sobre adaptação bidirecional humano-IA, a proposição não apresenta resultados empíricos, mas oferece um vocabulário conceitual inicial para um fenômeno ainda disperso na literatura, indicando direções para investigação empírica futura por meio de análise longitudinal de produção linguística e de desenhos experimentais comparativos.
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