Organizando histórias de vidas rebeldes: a necessidade política de imaginar o impossível no diálogo entre Saidiya Hartman e Asad Haider
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16587Palavras-chave:
Saidiya Hartman, Asad Haider, organização política, imaginação política, fabulação críticaResumo
O presente artigo discute a relação entre as formas de narrativas históricas e suas consequências teóricas, práticas e políticas, tomando como objeto central o método da "fabulação crítica" desenvolvido por Saidiya Hartman. Diante dos limites, lacunas e parcialidades do arquivo histórico tradicional, Hartman introduz abertamente a imaginação e a escrita politicamente orientada para narrar os silêncios das existências relegadas ao não-histórico. A partir das análises do teórico Asad Haider sobre a obra de Hartman, este trabalho investiga os efeitos teórico-políticos de sua escrita. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um estudo bibliográfico de leitura cruzada e aprofundada entre as obras de ambos os autores. Conclui-se que o método de Hartman desestabiliza a dicotomia entre ficção e empiria, transformando o que foi relegado à condição de invisível, impensável e impossível em visível, pensável e possível. Ao focar nas práticas cotidianas de rebeldia, agência e resistência do colonizado em detrimento da descrição do sofrimento imposto pelo opressor, o texto argumenta, alinhado a Haider, que a imaginação do passado é precondição para a organização política emancipatória no presente e, consequentemente, para a construção do futuro. Assim, delineia-se um horizonte de luta de massas, autônomo e independente do Estado, onde o destino histórico não é teleológico, mas uma constante disputa em aberto.
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