O que o Ministério da Educação compreende por "socioemocional" e o papel da BNCC neste contexto: relato analítico a partir de entrevista com a Coordenação de Estratégia da Educação Básica
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16561Palavras-chave:
Educação Socioemocional , BNCC , competências gerais, políticas públicas de educação, Ministério da EducaçãoResumo
Este artigo organiza, em uma perspectiva analítica, o que o Ministério da Educação (MEC) compreende por “socioemocional” no âmbito da Educação Básica, a partir de uma entrevista com Daiane de Oliveira Lopes, Coordenadora Geral de Estratégia da Educação Básica do MEC. O texto parte de uma constatação prática: boa parte das afirmações que circulam no campo da Educação Socioemocional (ESE) sobre “o que a BNCC exige” ou “o que o MEC determina” não encontra respaldo em documentos formais facilmente acessíveis. Na entrevista realizada, foram sistematizados cinco eixos: (1) a inexistência de uma política centralizada de socioemocional no ministério; (2) o caráter da BNCC como referencial mínimo comum orientador, que não prescreve abordagem; (3) a dispersão do tema por múltiplas políticas intersetoriais; (4) a ausência de mapeamento nacional e de teoria oficial, além de critérios implícitos de consistência; e (5) a lógica de adesão pela qual materiais federais chegam às escolas. Conclui-se que o “socioemocional”, no plano federal, é um campo ainda em construção, sendo esta uma condição que abre espaço efetivo para a pesquisa e a formação no Brasil.
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