A consciência singularizada: em direção a um modelo teórico da construção acumulativa do sujeito. Implicações para a análise da subjetividade política e identidade coletiva
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16463Palavras-chave:
consciência, singularização, identidade políticaResumo
O presente artigo desenvolve uma proposta teórica original denominada "consciência singularizada", orientada a compreender como uma base biológica e uma experiência comum a todos os seres humanos dão origem a formas únicas e irrepetíveis de identidade consciente. Ao contrário de abordagens que explicam a consciência a partir de mecanismos neuronais isolados, este modelo propõe que a identidade emerge da interação dinâmica e recursiva entre ambiente, memória, interpretação e auto-observação, configurando trajetórias subjetivas irreversíveis que definem o sujeito em sua singularidade. São examinados fenômenos tais como a narrativa pessoal, a ilusão de permanência e a metaconsciência enquanto expressões do processo de singularização, junto às dimensões de ativação, interação, diferenciação e integração como níveis constitutivos da consciência. O estudo adota uma abordagem teórico-analítica e interdisciplinar, integrando neurociência, filosofia da mente e fenomenologia, sem pretender conclusões definitivas, mas sim oferecer um marco interpretativo aberto e passível de contrastação empírica futura. Entendida assim a consciência como processo de construção singular e irreversível, este marco adquire uma dimensão analítica directamente aplicável às ciências políticas, na medida em que permite compreender por que indivíduos socializados nos mesmos contextos institucionales e discursivos desenvolvem posições ideológicas, identidades coletivas e disposições para a ação política radicalmente distintas.
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