Remédios que não curam: Fraser e a desigualdade de gênero na medicina brasileira
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16370Palavras-chave:
gênero, feminização da medicina, Nancy Fraser, reprodução social, androcentrismo médicoResumo
As mulheres passaram a representar metade dos profissionais da medicina brasileira, mas ocupam menos de um quinto das presidências e direções científicas das sociedades de especialidade e recebem menos de um terço dos convites para congressos científicos. Este artigo analisa o paradoxo a partir da teoria tridimensional da justiça de Nancy Fraser e argumenta que a feminização numérica não produziu paridade porque as instituições médicas operam com remédios afirmativos quando seriam necessários remédios transformadores. A análise examina como a fronteira capitalista entre produção e reprodução atravessa a medicina brasileira, organizando hierarquicamente as especialidades de cuidado e de intervenção técnica segundo o gênero, e discute as consequências do androcentrismo médico para a produção de conhecimento e para a saúde de todas as pessoas. A experiência internacional demonstra que mecanismos transformadores são possíveis e produzem resultados mensuráveis. Às sociedades médicas brasileiras não falta conhecimento sobre os mecanismos de produção da equidade, mas decisão institucional de implementá-los.
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