Princípios clínicos para a psicoterapia afirmativa com pessoas LGBTQIA+
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16017Palavras-chave:
psicoterapia afirmativa, lgbtqia+, saúde mentalResumo
Este artigo propõe nove princípios clínicos para orientar a psicoterapia afirmativa com pessoas LGBTQIA+. Parte-se da compreensão de que essa população não constitui um grupo homogêneo, mas um conjunto de trajetórias marcadas por estigmatização e regulação normativa. Trata-se de um ensaio teórico-clínico fundamentado em revisão narrativa da literatura, que articula teoria do estresse de minoria, diretrizes profissionais, produção em terapia afirmativa, estudos empíricos sobre mecanismos de mudança e referenciais queer e decoloniais. A proposta organiza princípios voltados à formulação do caso, à relação terapêutica e ao horizonte do cuidado, incluindo despatologização ativa, contextualização pelo estresse de minoria, interseccionalidade, validação ativa, trabalho clínico com vergonha e estigma internalizado, ampliação segura de repertórios, pertencimento, escuta da experiência erótica e afetiva e consideração das dimensões de futuro, esperança e agência. O artigo não apresenta um protocolo de tratamento, mas uma linguagem clínica destinada a mediar a passagem entre o arcabouço ético-normativo das diretrizes afirmativas e as decisões cotidianas da psicoterapia. Argumenta-se que uma psicoterapia afirmativa requer tratar a heterogeneidade interna da população LGBTQIA+ como dado clínico central, evitando tanto a importação acrítica de modelos produzidos em contextos distintos quanto a redução do sofrimento à orientação sexual ou à identidade de gênero.
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