As gramáticas do antipetismo: uma tipologia do partidarismo negativo brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.16012Palavras-chave:
Antipetismo, Partidarismo negativo, Comportamento eleitoral, Afetos políticos, Pesquisa multimétodosResumo
O partidarismo negativo tem sido tratado pela literatura contemporânea como uma atitude contínua de rejeição a um partido político – análoga, em sua estrutura, à identificação partidária positiva. Este artigo propõe uma inflexão nessa abordagem ao concebê-lo como uma categoria agregadora: um mecanismo que reúne indivíduos em torno da rejeição a uma mesma sigla, mas a partir de gramáticas afetivas, morais e políticas profundamente distintas. Tomando o Brasil como caso, a pesquisa investiga a diversidade interna do antipetismo com base em um desenho multimétodos integrativo, que combina análise de conglomerados e grupos focais conduzidos em todas as regiões do país. Os resultados indicam a existência de quatro gramáticas principais de rejeição ao PT: uma partidarizada, ancorada em vínculos positivos com partidos políticos; uma moral, estruturada por valores e concepções normativas; uma econômica, orientada por critérios instrumentais de avaliação política; e uma forma de desengajamento crítico, marcada pelo distanciamento em relação à política institucional. Em conjunto, esses achados sugerem que o partidarismo negativo pode operar como um mecanismo eficaz de coordenação eleitoral sem produzir coesão substantiva entre os indivíduos que o mobilizam, evidenciando seus limites como princípio organizador da ação política.
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