Política de educação de jovens e adultos em Angola e na África do Sul: EJA como educação inclusiva
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15861Palavras-chave:
Educação de Jovens e Adultos, Angola, África do SulResumo
A partir de uma abordagem qualitativa e método de pesquisa documental crítica, este artigo analisa as políticas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Angola e na África do Sul a partir de uma perspectiva da EJA como educação inclusiva e que, mesmo que parcialmente, aponta o modelo sul-africano como protótipo para o subsistema angolano. Os resultados indicam que, ambos os países tiveram o grau de escolarização e alfabetização de suas populações comprometidas, como consequência das políticas de segregação racial impostas pelos regimes pelos quais passaram. Porém, enquanto que a África do Sul avançou do ponto de vista legislativo e prático no pós-queda do apartheid a partir de 1995, Angola se viu atolada numa guerra civil de quase três décadas que frustrou quaisquer tentativas de implementação de um sistema de ensino e alfabetização da população efetivamente funcional. Por outro lado, apesar da ligeira melhoria da taxa de escolaridade e do avanço legislativo que se verificou no pós-guerra civil, a corrupção desenfreada se instalou, a prioridade dos gastos com a defesa e segurança em detrimento dos setores sociais outrora justificadas pelo estado guerra continuaram no pós-guerra e se mantêm nos dias atuais. Como consequência de todos os fatores supracitados, hoje o número de escolas públicas em Angola é ínfimo e sua distribuição assimétrica, o que resulta num contingente de milhões de crianças fora do sistema de ensino que rapidamente se tornam em jovens e adultos iletrados e sem instrução – o que atribui ao EJA o papel de educação inclusiva.
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