A efetivação do brincar na educação infantil nos contextos brasileiro, italiano e espanhol
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15821Palavras-chave:
Saberes docentes, brincar, educação infantil, estudo intercultural, cultura escolarResumo
No Brasil, na Itália e na Espanha, o brincar é elemento fundamental da infância e eixo estruturante do currículo. Entretanto, o cotidiano escolar revela uma tensão histórica: a contradição entre aquilo que é instituído e o que é materializado. Ou seja, embora reconhecido pelos documentos normativos, na escola o brincar muitas vezes ocupa espaços de menor valor, vinculado ao tempo de não aprendizagem. Nesse sentido, este artigo tem por objetivo analisar como as professoras brasileiras, italianas e espanholas efetivam o brincar a partir de seus saberes docentes construídos e da realidade da prática cotidiana. Adotou-se uma pesquisa qualitativa de cunho descritivo e exploratório, empregando o método (auto)biográfico para mobilizar narrativas de 30 professoras (10 em cada país) e examinar as suas experiências articulando-as ao presente profissional. Os resultados revelam que a efetivação do brincar diferencia-se entre a curadoria estética europeia do ambiente como "terceiro educador" e a necessidade brasileira de transformar espaços rígidos e burocráticos em contextos lúdicos possíveis. Enquanto as professoras europeias atuam "nos bastidores" para assegurar o fluxo criativo infantil, a prática no Brasil vincula-se às memórias da infância e à mediação ética voltada ao ensino de regras sociais. Por fim, evidenciou-se que o brincar possui lugar consolidado como investigação na Europa, ao passo que, no cenário brasileiro, a experiência lúdica constitui-se como uma forma de resistência docente frente à lógica instrucional e produtivista.
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