Neurobiologia da fala no bilinguismo: implicações de uma perspectiva da ciência da mente, cérebro e educação
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.15016Palavras-chave:
fala, bilinguismo, neurobiologia da linguagem, neuroplasticidade, ciência da Mente, Cérebro e EducaçãoResumo
O bilinguismo oferece uma perspectiva única para investigar a neurobiologia da fala, pois envolve interações dinâmicas entre múltiplos sistemas linguísticos no mesmo cérebro. Esta revisão de escopo mapeia o estado atual do conhecimento sobre os mecanismos neurais subjacentes à fala em indivíduos bilíngues e como essas descobertas se interconectam com o campo da ciência da Mente, Cérebro e Educação (MCE), oferecendo uma perspectiva translacional que conecta a neurociência à prática e às políticas pedagógicas. Os principais temas que emergem da literatura incluem a representação e o processamento neural de mais de um sistema fonológico e lexical, o papel das redes de controle cognitivo na seleção e alternância de idiomas e o impacto da idade de aquisição e da proficiência na organização cerebral. Estudos de neuroimagem e de eletrofisiologia revelam substratos neurais sobrepostos e distintos para cada idioma, com evidências de plasticidade adaptativa em regiões auditivas, motoras e de controle frontal. Ainda existem lacunas em relação às trajetórias longitudinais do desenvolvimento da linguagem em bilíngues, à interação entre eficiência neural e esforço cognitivo e às diferenças entre línguas no processamento da linguagem falada. Ao consolidar descobertas de diversas disciplinas, esta revisão destaca como o bilinguismo contribui para modelos mais amplos de neurobiologia da linguagem e identifica caminhos para pesquisas futuras. Argumentamos também que a integração de evidências neurobiológicas com referenciais educacionais pode contribuir para estratégias pedagógicas mais inclusivas, intervenções precoces e políticas informadas que respeitem a diversidade linguística. Ao mesmo tempo, enfatizamos a necessidade de reflexão crítica para evitar interpretações reducionistas e preservar as dimensões sociais, culturais e afetivas da aprendizagem. Este artigo destaca o potencial transformador da MCE para repensar como a fala no bilinguismo é compreendida e apoiada em contextos educacionais.
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