ALIANÇAS E LITÍGIOS ENTRE A GRAMÁTICA E A LINGUÍSTICA: PRODUÇÃO E MANUTENÇÃO DO CONSENSO SOBRE A LÍNGUA NACIONAL
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14638Palavras-chave:
Gramática, Linguística, Língua nacional, Norma padrão brasileiraResumo
Este ensaio discute o jogo de relações entre a Gramática e a Linguística na produção e na manutenção do consenso sobre a língua nacional do Estado brasileiro. Nossa discussão se concentra na reorganização da produção de conhecimentos linguísticos operada pela instalação da Linguística nas universidades ao longo do século XX. Para isso, apresentamos a coluna de jornal Na ponta da língua, idealizada por Evanildo Bechara e publicada semanalmente no jornal O mundo português entre 1990 e 2001. Trabalhando a emergência, nos artigos de Bechara, de uma terceira posição entre a Linguística e a chamada “gramática tradicional”, duas hipóteses são formuladas: a de que posição do gramático é uma posição de Estado; e a de que é no final do século XX que o paradigma descritivo se consolida definitivamente nos cursos de Letras. A partir daí, o paradigma normativo, tomado como incompatível com o paradigma científico, passaria a ser apresentado como um completo exterior à ciência. Buscamos mostrar, então, como a dicotomia descrição X prescrição, responsável por garantir o estatuto de cientificidade da Linguística moderna, impede-a, paradoxalmente, de contribuir cientificamente para a elaboração de uma norma padrão brasileira.
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