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O monocultivo de agave e o direito humano a um ambiente saudável: uma travessia entre a prosperidade econômica e a violação da dignidade

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  • Yahaira Guadalupe Padilla López Universidad de Guadalajara image/svg+xml https://orcid.org/0009-0009-1567-4941
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  • Julio César Vázquez-Colunga Universidad de Guadalajara image/svg+xml https://orcid.org/0000-0001-8393-2505
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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14463

Palavras-chave:

monocultivo de agave, direitos humanos, ambiente saudável, extrativismo agrícola

Resumo

O presente artigo analisa o monocultivo intensivo de agave em Jalisco, México, como um caso paradigmático de extrativismo agrícola que viola estruturalmente o direito humano a um ambiente saudável. Através da aplicação do método de desagregação dos direitos humanos, são desagregados os subdireitos implicados (água, saúde, alimentação, cultura, biodiversidade, participação) e as obrigações estatais de respeitar, proteger, garantir e promover, mostrando como a expansão do agave — que cresceu cerca de 167% entre 2014 e 2023 — se traduz em grave degradação ecológica, contaminação por vinazas (da ordem de 4 a 5 bilhões de litros anuais), estresse hídrico, erosão do solo, perda de biodiversidade e precariedade laboral.

São articuladas teorias contemporâneas de direitos humanos (abordagem das capacidades de Amartya Sen e Martha Nussbaum; concepção de Jack Donnelly sobre direitos como reivindicações éticas universalizáveis), o método de desempacotamento desenvolvido por organismos de direitos humanos e marcos de desenvolvimento sustentável e economia ecológica. Além disso, integra-se o marco jurídico nacional e internacional, como a Constituição Política dos Estados Unidos Mexicanos e a Lei Geral de Equilíbrio Ecológico e Proteção ao Meio Ambiente, as obrigações decorrentes do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, a Opinião Consultiva OC 23/17 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, a resolução 76/300 da Assembleia Geral da ONU sobre o direito a um ambiente saudável e o Acordo de Escazú sobre participação e justiça ambiental.

Fica evidente que o modelo agavero, longe de ser um exemplo de “desenvolvimento rural”, reproduz padrões globais de extrativismo agrícola (análogos à soja na Argentina ou à palma africana na Colômbia), gera injustiças distributivas e de representação e é insustentável ecológica e socialmente. A partir desse diagnóstico, são propostas transformações normativas e institucionais orientadas a: integrar critérios ambientais e sociais vinculantes à regulamentação da tequila, reforçar a avaliação do impacto ambiental agrícola, proteger zonas de recarga hídrica e ecossistemas frágeis, avançar para a proibição progressiva do glifosato, garantir trabalho digno, fortalecer a agroecologia e a diversificação produtiva, e democratizar a governança territorial em linha com os princípios de Ostrom e o Acordo de Escazú. 

O trabalho conclui que a viabilidade futura da indústria do tequila depende de sua capacidade de transitar de um modelo extrativista para um verdadeiramente sustentável e respeitoso dos direitos humanos.

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Biografia do Autor

Yahaira Guadalupe Padilla López, Universidad de Guadalajara

Doctorado en Derechos Humanos. Centro Universitario de Tonalá, Universidad de Guadalajara, México. ORCID 0009-0009-1567-4941. Correo electrónico de contacto: yahaira.padilla@academicos.udg.mx

Julio César Vázquez-Colunga, Universidad de Guadalajara

Licenciado en Derecho, Maestro en Educación y Doctor en Psicología . Miembro del Sistema Nacional de Investigadores, SNI Nivel 1. Académico del Doctorado en Derechos Humanos, Centro Universitario de Tonalá de la Universidad de Guadalajara.

Postado

06/01/2026

Como Citar

O monocultivo de agave e o direito humano a um ambiente saudável: uma travessia entre a prosperidade econômica e a violação da dignidade. (2026). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14463

Série

Ciências Humanas

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito