OLHOS QUE ENQUADRAM, IMAGENS QUE CONSTROEM: A CONSTRUÇÃO IMAGÉTICA DA REFORMA AGRÁRIA NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO (1984-2014)
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13201Palavras-chave:
Questão agrária , O Estado de S. Paulo, Representação imagéticaResumo
Este artigo analisa a representação imagética da questão agrária no jornal O Estado de S. Paulo (OESP) entre 1984 e 2014, com foco em como fotografias, ilustrações e charges contribuíram para a construção simbólica da questão agrária. A pesquisa partiu de um corpus de cerca de 500 imagens, examinados por meio da análise de enquadramento e da análise de conteúdo. O estudo identificou quatro enquadramentos predominantes: moral, econômico, jurídico e político. O enquadramento moral associou os sem-terra à desordem, à ociosidade e à ameaça aos valores tradicionais, apresentando imagens que ridicularizam ou desumanizam a luta pela terra. O econômico contrapôs a reforma agrária ao agronegócio, representando este último como motor da modernização e do progresso, enquanto o MST aparecia como entrave improdutivo e irracional. O enquadramento jurídico destacou a ilegalidade das ocupações e a centralidade da propriedade privada, criminalizando o movimento por meio de imagens de despejos e confrontos policiais. Já o político vinculou o MST a ideologias radicais e subversivas, retratando-o como massa manipulada ou ameaça à democracia. A análise mostra que o OESP não atuou como mediador imparcial, mas como ator político alinhado às elites agrárias. Ao mobilizar imagens carregadas de estigmas e metáforas visuais de ameaça, o jornal construiu o sem-terra como “outro” perigoso, grotesco ou militarizado, reforçando o medo social e legitimando a repressão. Assim, a cobertura jornalística consolidou-se como parte de uma cruzada simbólica contra a reforma agrária, evidenciando que a questão fundiária é também uma disputa de narrativas.
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