Fronteiras urbanas e poéticas dissidentes: análise de três experiências em Belo Horizonte (MG)
DOI:
https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13124Palavras-chave:
fronteiras urbanas, insurgências culturais, direito à cidade, cidadania cultural, Belo HorizonteResumo
Este artigo investiga de que modo insurgências artístico-culturais produzem memórias e representações capazes de reivindicar o direito à cidade (Lefebvre, 2006) e promover a cidadania cultural (Chauí, 1995) de grupos subalternizados, a partir da análise de três experiências em Belo Horizonte: o Museu de Quilombos e Favelas Urbanos (MUQUIFU), o Teatro Espanca! e o Espaço Comum Luiz Estrela. Compreende-se a cidade como campo de disputas simbólicas e materiais, em que práticas culturais insurgentes emergem em zonas de fronteira, entendidas como espaços críticos nos quais se tensionam inclusão e exclusão, centralidade e marginalização (Mezzadra & Neilson, 2013). Metodologicamente, a pesquisa combinou entrevistas, observação participante, análise documental e imagética, mobilizando a montagem como procedimento interpretativo (Benjamin, 1994). A categoria de fronteira orientou a seleção das experiências e a análise de como arte, memória e resistência se articulam para criar narrativas alternativas. Os resultados indicam que o MUQUIFU reinscreve memórias negras e populares no entre-lugar da favela e do asfalto, o Espanca! desloca hierarquias culturais ao articular estética, política e território no hipercentro, e o Luiz Estrela converte uma ruína abandonada em espaço de autogestão e experimentação coletiva. Em comum, essas iniciativas contestam narrativas oficiais, afirmam saberes marginalizados e instituem novas formas de pertencimento e visibilidade política. Nota-se que tais práticas ampliam a noção de direito à cidade para além da moradia e do acesso a equipamentos, configurando-o como prática coletiva de criação, apropriação e habitação, em que a cultura se afirma como campo de resistência e produção de cidadania insurgente.
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