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A Inteligência Artificial é Nossa: Caminhos para a Soberania Tecnológica no Sul Global

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DOI:

https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13002

Palavras-chave:

Inteligência artificial, Autonomia tecnológica, Sul global

Resumo

O presente artigo reconfigura a inteligência artificial como questão de soberania no Sul Global. Retoma explicitamente o lema “O petróleo é nosso” do movimento brasileiro das décadas de 1940 e 1950,  quando uma narrativa de incapacidade e ausência de recursos buscou frear a exploração nacional de hidrocarbonetos e traça um paralelo com a atual concentração de dados, software e infraestruturas no Norte. A partir desse espelho histórico, sustenta que reverter a dependência exige tratar a IA como recurso estratégico sob controle local, o que implica democratizar o acesso a dados, construir infraestrutura própria e formar cidadania tecnológica, com atenção preferencial às populações desfavorecidas. O diagnóstico situa a desigualdade tecnológica no centro do problema. Assinala a concentração de polos de desenvolvimento em software, hardware e cômputo, a brecha de conectividade e de qualidade da internet, e a persistência de vieses culturais e linguísticos quando os sistemas são treinados com dados alheios aos contextos locais. Esse arranjo limita a participação do Sul no ecossistema digital e reproduz assimetrias históricas que afetam diretamente a capacidade de decisão e de inovação dos países periféricos. As implicações se desdobram em várias frentes. Adverte-se a perda de autonomia em setores críticos como saúde, educação e segurança; descrevem-se vulnerabilidades de infraestruturas que dependem de plataformas externas; exclusão digital que restringe oportunidades educacionais e econômicas; e transferência contínua de valor por meio de tecnologias importadas e marcos de dados não situados. O texto também alerta para dinâmicas de colonialismo digital que aprofundam a subordinação tecnológica. Como roteiro de ação, propõe políticas públicas de pesquisa e desenvolvimento, educação técnica e digital, incentivos à produção local de hardware e software, governança e proteção de dados alinhadas ao contexto em diálogo com a LGPD, cooperação Sul-Sul e integração de redes regionais de pesquisa e educação para produzir conhecimento situado. Integra a sustentabilidade como eixo para alinhar inovação, inclusão e proteção ambiental. Conclui que a soberania tecnológica é objetivo estratégico e imperativo ético para um futuro autônomo e inclusivo no Sul Global.

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Postado

22/08/2025

Como Citar

A Inteligência Artificial é Nossa: Caminhos para a Soberania Tecnológica no Sul Global. (2025). Em SciELO Preprints. https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.13002

Série

Ciências Sociais Aplicadas

Plaudit

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa estão contidos no próprio manuscrito